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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - EXTRA

SÓ LEIA ESTE POST SE VOCÊ JÁ LEU O WEB INTEIRO, CASO CONTRÁRIO, VAI PERDER A GRAÇA!

Destino Cruel: A Descoberta é meu terceiro web, e segundo da saga Destino Cruel. Seu último capítulo foi postado no dia 04/04/2011 (Quarta). Abaixo, confira o Sumário, Dedicatória, Depoimento e Como surgiu a idéia.

* Sumário

* Dedicatória

Quando esta pessoa ler isso, saberá que é pra ela. Eu dedico a você, apenas a você, meu amor! 

* Depoimento

No início, achei que devia parar apenas em um web, mas resolvi fazer a saga, e não me arrependi. O segundo livro trás a questão dos problemas no envelhecimento, do sofrimento de um pai em relação ao seu filho, e de uma descoberta, que é onde Lucas descobre que seu pai está vivo, mas não se sabe como. Tudo só se resolve no terceiro livro da saga. A morte de Lucas foi para os leitores, uma surpresa, já que ele era o personagem principal da história, mas agora, não dependerei mais dele no último livro da saga. 

DIREITOS AUTORAIS

Esta obra on-line foi criada por mim, Peterson Oliveira Macêdo, e a mesma é registrada no fórum. Se por acaso ocorrer a cópia da mesma sem seus devidos créditos, está sujeito a processo judicial.

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 10 (FINAL)


Duas semanas se passaram desde que eu havia flagrado o Eduardo na cama com uma garota. Garota essa que nunca mais vi. 

Às coisas estavam normais, até aquele momento, mas eu insistia a acreditar que uma coisa muito ruim iria acontecer. Eu não sabia bem, mas a sensação era de que eu iria perder ou ganhar alguma coisa.

- Pai, vou almoçar com os amigos hoje! Tchau! - Falou o Eduardo, sem ao menos me deixar rebater.

Nos últimos tempos, ele parecia agoniado, irritado, e parecia mesmo está se drogando. Mas como eu já disse: Ele pagará por suas atitudes.

Era meio dia, e eu, já havia terminado de comer. Faziam mais ou menos duas horas que o Eduardo se fora.

- Amor, vou na casa do Larry, acho que a placa "Aluga-se" não está adiantando de nada. - Falei.
- Tá bom, mas não demore, hoje à tarde você está proibido de ir trabalhar. Eu também. Iremos passar o dia juntos. Promete?
- Prometo, meu dengo. Vamos parar de brigar? - Falei.
- Sim, falou ela me beijando.
- Então, já vou indo, ok?
- Tá, não demore. - Falou ela.

Então, tirei o carro da garagem, e parti para o outro lado de São Paulo. A casa do Larry era bastante longe de minha casa.


Chegando lá, me assustei: A casa estava em chamas. De repente, me senti mau, muito mau. Meu coração bateu mais rápido, e fui impulsionado a sair do carro e entrar na casa. 

Lá dentro, o cenário era assustador. Tudo estava aos destroços de um incêndio, provocado por alguém. Alguém que estava deitado, no centro de uma enorme roda de fogo. Correndo, me aproximei mais, e vi: Era o Eduardo, e ao seu lado, estavam pedras. Eu não sabia do que era, mas eram pedras. O puxei para a sala da casa. Até que ele acordou.


- Pai?
- Por que? - Perguntei! - Por que fez isso?

Minhas dores estavam ficando cada vez mais tensas. Então, caiu o enorme abajú sobre mim. 

- Pai! 
- Saia DAQUI! Você vai morrer, saiaaaaaa! - Gritei. Saia!
- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai! - Falou meu filho, quando eu começava a ficar inconsciente.

A dor era pior do que todas as outras. Agora eu entendia: A minha intuição estava correta: Eu iria perder a vida, e ganhar a eterna inconsciência.

Eu já não ouvia a voz do Eduardo gritando. Eu não sabia se era por que eu já não ouvia nada mais mesmo, ou se ele já havia saído. As vistas estavam cada vez mais escuras, e a dor, mais intensa.

De repente, bateu em mim aquele arrependimento de não ter aproveitado a vida, de não ter aproveitado minha mulher, e cuidado do meu filho.

O que peço a vocês dessa vez, é que vivam intensamente cada momento, cada segundo, cada pessoa que passa em sua vida. Por que naquele momento, o arrependimento me dominava, e é isso que acontecerá se vocês fizerem isso, não aproveitar a vida. Eu, me sentia uma droga de burro, um idiota, um solitário.

Aquela altura, eu já não ouvia, nem via, nem sentia! Aquele momento, eu fechei os olhos.

Autor da web: Peterson Oliveira Macêdo, 04/05/2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 09 (Penúltimo Capítulo)


Mais cinco meses se passaram. Já estávamos em Abril de 2011. Eu, já havia ficado mais velho novamente. Agora, eram trinta e oito anos de vida. Outro dia, cheguei do trabalho mais cansado do que todos os outros dias. É incrível como eu percebia o quanto este cansaço ficava mais intenso a cada no. Era cedo, por que não aguentei ficar mais no trabalho. 

Às vendas dos brinquedos, estavam ótimas, mas algo me preocupava: Eu não sabia a idade do meu pai, Marcus, já que o que ele lembrou foi apenas do acidente. Mas o fato é que sabendo sua idade ou não, eu tinha a mais absoluta certeza de que ele já estava bem velhinho, e a qualquer momento, poderia morrer. Dois lados me preocupavam: E a empresa? Como vai ficar? E meu pai? Vou ficar sem um pai novamente? Perdê-lo de novo?

A casa do Larry, foi alugada para um casal de recém-casados, mas está disponível novamente. Eu e a Layane, parecíamos um casal separado. Ela na clínica o dia inteiro, e eu, na fábrica. O Eduardo, ah, o Eduardo, cada dia mais irritante. Eu não sabia mais o que fazer com aquele menino.

Mas o fato é que eu havia chegado em casa, e estava "morto". Subindo, comecei a ouvir um barulho vindo do meu quarto. A cama parecia ranger. A princípio, imaginei a Layane me traindo com outro, mas me lembrei que umas 19:00 ela ainda não teria chegado. O meu pai, provavelmente em seu quarto, desenhando. Então, só podia ser o Eduardo. Subi cada degrau delicadamente, até chegar ao topo da escada. Seguindo o corredor, cheguei ao meu quarto e o da Layane. Abri a porta, e dei de cara com a cena mais ridícula e inesperada de minha vida: Meu filho, na cama com uma garota. Eu não fazia idéia de quem fosse, mas eu só sabia que o cansaço estava desaparecendo, e uma onda de ódio subia. 

- O que significa isso? - Falei, gritando.
- P...P...P...Pai! - Falou Eduardo, me lembrando como reagi quando descobri quem era meu pai.
- Você não disse que ele só chegava tarde? - Perguntou a mulher.
- Sai daqui - Falou ele, levantando-se, e se vestindo. A Moça também se vestiu correndo, e passou por mim, se esbarrando.

De repente, comecei a sentir umas pontadas no coração! Não era forte, mas o suficiente para me fazer cair. Consegui me levantar novamente, e disse:

- Saia daqui moleque! Ainda temos muito o que conversar amanhã!
- T...T...á bom pai, tá bom.

Então, quando ele saiu, as pontadas aumentaram, e cai na cama, inconsciente.

Continua... 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 08 (Últimos Capítulos)


O tempo foi se passando de forma tão rápida, que quando olhei no calendário percebi duas coisas: Já haviam se passado cinco meses desde que o velhinho foi morar conosco, e já estávamos em Novembro. Sinônimo disso era que eu não iria demorar a ficar mais velho.

Era estranho, mas eu tinha a estranha sensação de que coisas iriam acontecer. Não coisas normais, mas coisas angustiastes  ou coisa do tipo. Eu sentia que algum fim estava perto, como se eu fosse perder alguém, ou algo muito importante, ou ganhar, não conseguia entender.

Era Sábado, dia 6. Eu, estava chegando do trabalho, cerca de 10 da noite. Cansado como sempre. Chegando em casa, percebi que todos estavam dormindo, já que pelo menos olhando da parte externa, ela parecia quieta. Quando abri a porta, e liguei a luz, tomei um susto ao ver o velhinho sentado no sofá. Parado, quieto, como se me esperasse.

- O que houve? - Perguntei
- Nada, não é nada! - Falou ele - Estou apenas um pouco angustiado!
- Por que? - Falei, sentando-me ao seu lado.
- Sei lá! É ruim saber que tive uma vida e não lembro de praticamente nada dela.
- É, realmente é muito ruim, mas em suas circunstâncias eu estaria feliz! Eu faria de tudo para não lembrar o que aconteceu em minha vida! - Falei.
- O que aconteceu em sua vida? - Perguntou ele.

E então, eu contei tudo, tudo que eu havia passado desde o dia de minha existência, até hoje. Quando falei que havia engravidado minha própria mãe, ele ficou pasmo, isso é fato.

- Nossa, sua história é bem triste. - Falou ela - Eu queria lembrar da minha, mesmo sendo triste.
- Você não guarda nenhuma foto de nenhum familiar? - Perguntei!
- A única que tenho são de várias pessoas junto a mim, deve ser minha família, mas a foto está completamente desnorteada! Só há um pedaço.

Então, ele tirou do bolso um pedaço de papel amarelo, todo amassado, e me mostrou. Quando olhei direito, vi que... Comecei a ter flashs.

"O corpo do rapaz, talvez pai do menino também não foi encontrado", falava outro médico.
"Ouvi informações de que talvez o nome seja Márcio, Marcos, Marcus, sei lá", falava outro médico.


Foto! Lembrei que eu guardava um pedaço de uma foto. Ela parecia ser oposta ao do Velhinho! Sempre andava comigo na mala. Abri, e a achei, logo em minha carteira. Juntei as duas, e concluí que eram uma só.

- P...P...P...Pa...Pai! - Falei, chorando!
- Hã? - Perguntou ele.
- V...V...V...Vo...Você é o meu PAI!
- Como assim, seu pai? - falou ele mais confuso!

Sem palavras, derrubei da estante todas os álbuns de fotos que lá estavam, até encontrar o meu, onde eu guardava uma outra foto de minha família! Mostrei ao velhinho, ou melhor, meu pai, Marcus, e perguntei.

- O Senhor não se recorda de nada vendo essas fotos? - Perguntei.
- Acidente! Acidente! Eu me lembro ao redor de várias pessoas, entre elas, um bebê e a Adriele, com seus treze anos - Falou meu Pai.
- Sim, o acidente! Como te contei, quando encontrei minha mãe ela me disse que o senhor havia morrido de uma doença. Não entrou em detalhes!
- Não pode ser! - Falou ele, dando-me um abraço forte. - Eu não acredito!
- O senhor não é o único, pai! Mas antão, o senhor não se lembra de mais nada além disso? - Perguntei, desfazendo o abraço.
- Não, só me lembro do acidente. - Falou ele.

Bom, então, passamos a noite em claro, eu, tentando fazer com que ele lembrasse de alguma coisa, mas era em vão! Mas enfim, o fato é que eu havia dito: Eu tinha a sensação de que iria perder ou ganhar, algo ou alguém, mas eu sabia que aquela história não iria terminar por ali.

Continua...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 07 (Últimos Capítulos)


Duas semanas se passaram desde que o Larry e a dona Bruna havia morrido. O velhinho, estava lá na casa deles, morando sozinho. Resolvi que ele iria morar conosco.

Fui até a casa de meus pais, e comecei a falar sobre ele ir morar em casa.

- Mas eu não quero incomodar.
- Não será um incômodo! Vamos, por favor! O senhor não pode ficar nessa casa, sozinho!
- Não sei, não acho uma boa idéia!

Mas conversa vai, conversa vem, consegui convencê-lo de que seria melhor ele ir comigo pra minha casa, e resolvi que iria alugar a casa do Larry, mas eu não estava afim de resolver aquilo naquele momento. O velhinho arrumou suas coisas, e partimos para o meu bairro.

Chegando em casa, ao abrir a porta, avistei meu filho comendo pipoca e assistindo o que parecia "Toy Story 3". 

- Estava aonde? - falou ele de costas.
- Ele irá morar conosco - falei virando-me para o lado de fora da casa, onde o velhinho ainda estava.
- Aquele velho coroca? - falou meu filho, sem saber que ele estaria atrás da porta.
- Mais respeito moleque! Ele está aqui! Entre! - falei.
- Desculpa, é melhor eu voltar, não quero incomodar.
- Mais do que já incomodou? - Falou meu filho. Foi quando me veio um ataque de nervosismo! Meu corpo estremeceu, e avancei no Eduardo. Dei um murro em sua cara, ele revidou, dando-me outro murro e logo comecei a sentir pontadas no coração.

- Pare! - gritou Eduardo!
- Suba, seu moleque! - falei, sentando no sofá! - Deixe-nos a sós!

Então, ele subiu! 

- Você está bem? -  Perguntou o velhinho, vindo até mim!
- Estou, não se preocupe! Quando a Layane chegar, mandarei ela arrumar um quarto para o senhor, ainda hoje! Enquanto isso, pode assistir.
- Não me sinto a vontade! - falou ele.
- Pois pode se sentir, por que daqui pra frente, é aqui que o senhor vai viver!

Continua...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 06


Quando acordei, me vi em um quarto de hospital. Ao meu redor, estavam a Layane, o Eduardo e uma enfermeira. Parecia que eu havia dormido décadas, séculos, minhas lembranças de vida ou de movimento eram das mais antigas, embora eu recordasse de muita coisa.

- Lucas. você acordou - falou Layane, me abraçando.

Eu, estava muito cansado, ou talvez alguma coisa me obrigava a está cansado, e dormir. Eu estava com aparelhos da cabeça aos pés, mas o fato é que uma agulha ultrapassou minha pele, e puf! Novamente caí na inconsciência.

Quando acordei, não havia ninguém no quarto, a não ser pela Layane, que me parecia não ter saído dali um minuto se quer. Eu já não estava mais com aparelhos. Quando olhei para o calendário, percebi que duas semanas haviam se passado. Comecei a tentar entender o que aconteceu comigo, e me veio na cabeça um infarto, a hipótese mais óbvia, uma vez que, eu me lembro de dores no enterro de meus pais adotivos. Falando nisso, percebi que o buraco que havia se aberto com esse acontecimento já se estancava em meu peito.

Mias uma semana se passou, e eu recebi alta. Depois de fazer vários exames, fui informado de que eu estava com um problema cardíaco. Está vendo aí? Eu estava mesmo perto de minha morte.

Continua...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 05

No dia seguinte, me encontrei em um sofá, com uma tremenda dor de cabeça, e com a coluna pra lá de torta e doída. Olhei no relógio, eram cinco horas, e a claridade ainda era duvidosa. "Só mais cinco minutos", pensei comigo, e cai no sono.

De repente, ouvi meu celular tocar, e não era o despertador. Olhei no relógio, e eram oito horas. "Droga, atrasado", pensei comigo. Era dia de feira, e minha mulher já devia ter saído, o Eduardo, devia está lá em cima. Olhei na tela do celular, era meu pai, então, atendi.

- Alô? - falei com uma voz de cansado, e gemendo por causa da dor de cabeça.
Alô, sou do SAMU. - falou a voz de um homem do outro lado da linha. Não era o meu pai coisa nenhuma, de repente, gelei - Você é parente de Larry Pereira e Bruna do Santos? - continuou a voz.
- Sim, são meu pai e minha madrasta, algum problema? - falei, ainda paralisado.
Pode comparecer ao hospital da cidade? 
- O que houve?
Seu pai e sua madrasta sofreram um acidente de carro, em direção a feira da cidade.

De repente, soltei o telefone, e cai no chão, inconsciente.

Quando acordei, estavam ao meu redor o Eduardo e a Layane. Tudo estava embaçado.

- Que horas são?
- Meio dia.
- O Larry e a dona Bru...
- Já sabemos, pai - falou Eduardo
- Como eles estão? - perguntei.

E então, Layane e meu filho se olharam, e começaram a chorar. 

No dia seguinte, quando estavam enterrando os dois um ao lado do outro, senti uma dor forte no coração. Comecei a me apoiar do Eduardo.

- Pai, você está bem?

E depois, caí.

Continua...

domingo, 17 de abril de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 04


Depois de um tempo, minha fábrica já não aguentava mais, foi quando o velhinho que ainda não havia lembrando seu nome, aceitou a proposta que propus, e as vendas começaram a aumentar a todo vapor, mas isso, me prendia mais tempo na fábrica, e eu sempre chegava mais tarde em casa, e muito, mas muito cansado. Isso deixava a Layane furiosa.

- Isso são horas? - perguntou ela, levantando-se do sofá enquanto eu entrava.
- É que eu...
- Já chega, eu cansei. - falou ela subindo.
- Layane - gritei, mas ela não respondeu.

Então, fiquei sozinho na sala. Era uma hora da noite, meu sono, já tinha ido embora. Eu não havia jantado, apenas tinha comido algumas porcarias como coxinha e refrigerante, mas depois eu vi em cima da mesa um Montila, e 51. Enchi a taça, e comecei a beber, que nem um louco.

DUAS HORAS
TRÊS HORAS
QUATRO HORAS

Todo esse tempo se passou, e eu ainda bebia, foi quando a porta se abriu, e chegou em casa o Eduardo.

- Isso é hora de chegar, garoto? - perguntei.
- Quem é você pra me perguntar isso? Não sou eu que nas últimas semanas deixo minha esposa te esperando até uma hora. E a gente te avisa: para de beber e comer besteiras.
- Ah poupe-me de seus argumentos, onde você estava?
- Com uns amigos.
- Quem são esses amigos?

E então, ele subiu, me deixando mais uma vez sozinho na sala. Eu por minha vez, cai no sofá, e dormi.

Continua....

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 03

- Por acaso é o senhor quem faz estes desenhos de brinquedos? - perguntei.
- Sim, sou eu sim. 
- São muito bonitos. Eu tenho uma fábrica de brinquedos, sabia?
- Você não vai se aproveitar das minhas criações - falou ele, abraçando seus papeis.
- Calma, calma, não é nada disso. Venha comigo. - falei.
- Não acho uma boa idéia.
- Venha, pode confiar.

Tentando dar o braço a torcer, o velho que parecia ser mendigo, veio. No caminho, comecei a fazer perguntas.

- Onde está a família do Senhor? 
- Eu não me lembro de nada, eu sou mendigo, vivo de esmolas, sem família.
- Nossa, que triste. Sinto muito. Por que o senhor desenha?
- É a única coisa que me lembro. Que eu sei desenhar, então, faço isso para passar o tempo na rua.
- Olha, os designs dos brinquedos são perfeitos.
- Tá, mas eu não quero te dá minhas criações.
- Pensa comigo - falei, parando de andar - o senhor é um mendigo, com todo respeito. Não tem do que viver, mas tem um belo talento. Eu, tenho uma fábrica que perdeu seu talento recentemente, e agora, estamos a beira da falência! Se o senhor entrar com a criação, eu entro com a criação e venda dos brinquedos. Aí, o senhor passa a ter seu próprio dinheiro.
- Eu não sei...
- Não há problemas. Pode pensar o quanto quizer - falei, começando a andar novamente.

Andamos, andamos e andamos. Perdi a noção dos lugares onde estávamos, e quando percebi, era a rua do Larry e da dona Bruna. Aproximando-se da casa deles, o homem parou:

-  O que foi? - perguntei, um pouco mais a frente que ele.
- Nada, nada não. - e então, ele me acompanhou.

Chamei o Larry e a Bruna, e eles atenderam.

- Larry, dona Bruna, esse é o... o... - falei, gaguejando. - qual o seu nome, senhor?
- Eu não lembro meu nome. - respondeu ele, cabisbaixo.
- Enfim, esse senhor aqui, pode ficar hospedado por algum tempo? É meu amigo.
- Mas é claro - falou dona Bruna.
- Sim, venha, vou te arranjar algumas roupas.

Então, eles entraram, e eu voltei para casa, já que era quase meio dia, hora de comer, e olha que eu estava com fome. 

"Fome, comida, engordar, pança, eu, mudei, envelhecer, morrer..."

Fiquei pensando, que nem um maluco.

Continua...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 02

Bela mesa do café da manhã 1600x1200 Papel de Parede Wallpaper

Quando acordei, já era de manhã. "Ufa!", pensei comigo, ainda deitado, referindo-me ao dia do meu aniversário. Mas não adiantava, não adiantava, eu estava ficando velho a cada segundo, e pronto, ponto final, sem argumentos a mais. Eu já tinha um filho de dezessete anos. "Dezessete anos, eu já tive essa idade". Será que eu estava mesmo ficando louco como disse o Eduardo na noite passada?

Olhei pro lado. Lá estava ela, deitada, linda dormindo, como sempre, e a base de plásticas, nunca envelhecia, ou melhor, nunca parecia envelhecer. Depois que criei a fábrica de brinquedos, ficamos em uma condição de vida desejável, e a vida da Layane, era essa: cirurgia. Eu preferia viver a realidade mesmo, nunca gostei de me esconder em ilusões.

De repente, o nome de Eduardo veio novamente a minha cabeça, e eu me lembrei que na noite anterior, quase que a Layane e eu brigávamos mais feio ainda por conta da ausência de nosso filho. Levantei-me delicadamente para não acordá-la, e desci. Chegando ao quarto do moço, ele não estava lá. A cama, estava lisa, como no dia anterior quando chegamos do bar. Olhei no relógio, e eram exatas seis e meia.

- Onde será que esse moleque se mateu, meu Deus?! - pensei alto.

Aquela não era a primeira vez que o Eduardo fez isso conosco. Outro dia, ele chegou em casa oito horas da manhã, e eu acho que a Layane só não teve um infarto por minha causa. Enfim, nove horas eu devia está na fábrica. Eu não costumava acordar cedo, mas já que eu havia feito isso sem querer, aproveitei a mesa que não estava pronta para matar o tédio. Fiz o café, coloquei algumas coisas na mesa, até que a porta se abriu.

- Onde se meteu mocinho? Não te falei para não sair?!
- Pai, o estojo é legal! Você lembra do estojo? Eu brinco com ele ainda, e a impressora caiu junto com a casa! Eu quero maaaais!
- Você anda se metendo em drogas rapaz? - Perguntei, alterando minha voz, e segurando os braços do Eduardo.
- Pai, vamos brincar de dormir? - E então, ele subiu para o seu quarto.

Meu filho não parecia está embriagado, embora estivesse doido. Parecia mesmo drogas, e eu nada iria fazer por ele. Nada! Eu já tinha preocupações suficientes para aumentar minhas rugas. Uma hora se passou, e quando a Layene desceu, eu a disse que o Eduardo havia chegado de madrugada, e eu tinha visto a hora. Eu não queria provocar mais confusões. Tomamos café, sem falar nada um para o outro depois de minha breve explicação.

Mais uma hora e meia se passou. A Layane, já tinha ido para o hospital, e em meia hora, era vez de eu ir trabalhar. Subi, tomei um banho, e desci novamente, já em direção a porta. Chegando a garagem, entrei no carro, e quando fui o ligar, não pegou.

- Droga!

Já que eu não entendia nada de carro, embora tivesse uma fábrica de brinquedos que produzia vários carrinhos, fui para um ponto de ônibus pela primeira vez depois que me casei do a Layane. Lá dentro do enorme veículo, várias pessoas se exprimiam, inclusive eu. De repente comecei a perceber como aquilo estava diferente. Antigamente, não era daquele jeito, cheio demais.

Depois de pensamentos bestas, e minutos passados, o ônibus parou, ou seja, eu estava no ponto de ônibus do bairro da fábrica Borges, na qual eu era dono, o que significava que, eu estava apenas no bairro, e não exatamente em frente a fábrica, então, eu teria que andar um bocado. Os milhares de papéis da empresa iriam me esperar.

Quando fui dobrar uma esquina, esbarrei-me com um velhinho, mas bem velhinho, muito, mas muito velhinho. E eu, ainda reclamava, hein? Ele segurava papéis, que caiu no chão com o impacto.

- Desculpa senhor - falei, pegando todos os papéis que estavam no chão.

Enquanto os organizavam em pilhas, percebi que ali estavam croquis de vários brinquedos, que, embora eu não entedesse sobre design, sabia que eram perfeitos. Não eram só de brinquedos, mas também da natureza, e de muitas outras coisas. Foi nesse momento que eu percebi também que aquele velhinho, mas bem velhinho, muito, mas muito velhinho, iria salvar minha fábrica.

Continua...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Destino Cruel: A Descoberta - Cap. 01


Nos últimos quinze anos de minha vida, a palavra que mais me assustava era "parabéns". Por mais que eu soubesse que ela expressava alegria, eu sabia que, a cada vez que eu a ouvisse, eu estaria envelhecendo. Às vezes eu ficava me perguntando: Por que dar parabéns? Por que estamos ficando velhos, ou por que estamos completando mais um ano de vida? Raciocinando, dá no mesmo, não é? Então? Por que dá parabéns? Os meus dias de aniversário sempre se tornavam os piores de minha vida, em todos os aspectos.

- Pai, parabéns - falou o Eduardo, me abraçando, enquanto eu me arrumava para sair com a Layane.
- Não precisa me lembrar que estou chegando ao dia da minha morte, Eduardo - Reclamei.
- Ah pai, para de ser paranóico! Você ainda é novo, trinta e sete anos. 

Comecei a perceber que a cada ano, o parabéns do meu filho ficava cada vez mais frio. Eu não sabia por que, mas me parecia que ele já não era mais tão carinhoso como antes.

- Ah, adolescência! Que saudade eu tenho de você - pensei alto.
- Ué, você vive dizendo que sua adolescência foi sofrida, e blá, blá, blá. - falou Eduardo, deitado em minha cama assistindo futebol, enquanto eu escovava os dentes.
- E foi, mas eu amava os tempos em que eu não tinha rugas - respondi.
- Isso está virando doença, sabia?
- Não, isso não é doença, isso é envelhecer mesmo. - falei. - Vamos amor, já estou pronto - gritei.
- Estou indo - respondeu Layane do outro quarto, também gritando.
- Olha só garoto, eu e sua mãe vamos ao bar, vai ter show ao vivo. Não sei pra que estou indo, mas se ela insistiu, nós vamos, e você, trate de não sair de casa, não temos hora pra chegar.
- Claro que não, pai.

E então, fomos eu e minha esposa para o bar. Quando chegamos, todos olharam para nós. Eu não sabia ao certo se era para eu e minha mulher, ou se era só pra mim. Eu não sabia nem se estavam realmente olhando, ou era ilusão minha, por que aquela história de ficar mais velho estava enchendo minha cabeça. Comecei a olhar para mim mesmo, e percebi como eu havia mudado. Uma pança havia aparecido, e aquilo me matava. Nos sentamos, pedimos uma bebida, e conversamos um pouco.

- Vamos amor, vamos dançar! - Chamou Layane.
- Não quero, estou cansado - falei.
- Nossa Lucas, como você tá chato. Trinta e sete anos e ...
- Para de falar isso - falei, alterando a voz.
- Ai, desculpa - falou Layane.
- Acontece que eu estou cansado, só isso. Hoje trabalhei o dia inteiro naquela fábrica de brinquedos.
- Você fala como se fosse operário.
- E quem disse que só operário cansa? Você acha que ficar o dia inteiro olhando pilhas de papeis é confortável? 
- Ah, mas você também se entrega demais ao trabalho. Devia deixar disso, contratar alguém para cuidar das finanças.
- Quem? Você, trabalha de enfermeira, o Eduardo, vive exibindo suas irresponssabilidades, tem o Riley, que é formado nesse negócio, mas mudou para Bahia com sua família ano passado, aí, só resta eu. Não posso contratar ninguém que não seja de minha confiança. E esse não é só o problema. O criador de carrinhos pediu demissão para morar em outro lugar, e agora, vai ficar difícil criar brinquedos, eu não sei fazer nada mais que uma roda, e olhe lá.
- Pelo amor de Deus, para de falar em negócios, trabalho, cansaço, ou coisa do tipo. Chega - falou a Layane - vamos embora. - falou ela me puxando.
- Mas foi você quem começou essa história de trabalho.
- Eu não teria começado se você não tivesse tocado no assunto.
- Mas...
- Vamos pra casa - falou Layane.

Deixei o dinheiro em cima da mesa, acreditando que talvez seria o suficiente, ou até demais, para pagar a metade da bebida que pegamos. Então, entramos no carro sem olhar um para a cara do outro, e voltamos para casa. 

Chegando lá, fui direto ao banheiro colocar uma roupa para dormir. Olhando-me no espelho, percebi que meus cabelos estavam mais brancos do que de um idoso de oitenta anos. Ah, como o tempo estava passando rápido!

- Lucas! - gritou Layane.
- O quê? 
- Venha ver só isso.

Desci rápido a escada, e fui para o quarto do Eduardo, que era de onde vinha sua voz. 

- O que foi? - perguntei.
- O Eduardo, ele não está aqui. 
- Deve ter saído com os amigos, amanhã me acerto com ele.
- Como assim, amanhã me acerto com ele?
- Não ligo mais pro que ele faz, ou deixa de fazer, o Eduardo é responsável por suas atitudes. Eu vou mesmo é dormir.

Falei, subindo, enquanto ela me seguia. Deitamos na cama, eu virado para o lado esquerdo, e ela para o lado oposto. Parecíamos um casal separado. Eu não falei? Todo aniversário é assim, alguma coisa de ruim sempre tem que acontecer.

Continua...

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