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domingo, 6 de março de 2011

Paixão Precoce - EXTRA

Paixão Precosse é meu primeiro web. Seu último capítulo foi postado no dia cinco de março (Sábado). Abaixo, confira o sumário, dedicação, e depoimentos.

* Sumário


1. Oi, meu nome é Jhonas
2. Armação do Lucas
3. De castigo
4. Eu precisava encontrá-la a qualquer custo
5. Tudo por ela
6. Um ano dormindo
7. Pesadelo
8. Crise no casamento de meus pais
9. Flagra
10. Você?
11. Desabafo
12. Chega!
13. Como assim, gostando de um garoto?
14. Me dê uma chance?
15. Natal
16. Ano novo, vida nova

* Dedicação


Dedico cada capítulo desse livro aos meus pais. Apesar de nem saberem da existência desse web, dedico a eles, e aos meus amigos Jamile Cerqueira, Bruna Cerqueira e Letícia Queiroz, que foram os primeiros leitores, e que me deram vontade de escrever mais e mais, com seus entusiasmos.

* Depoimento


Eu havia colocado na cabeça, de que iria escrever um web, e me veio na cabeça a história de um amor. Como já era muito comum as histórias mostrarem amores de pessoas grandes, resolvi mudar a coisa toda. "Por que não um amor de criança?" pensei comigo. Inicialmente, o livro não tinha um rumo certo. As coisas foram se encaixando de acordo com o que vinha a minha cabeça. Por exemplo, a idéia da Joana morar com o Jhonas, por coincidência do destino, não pensada, não foi procurada. Veio naturalmente, enquanto eu escrevia. Valéria eu peguei emprestado de "Depois daquela viagem", um livro que estou lendo atualmente. O Júlio e o seu pai também não existiam, muito menos a Gabi. Eu esperava para o Jhonas um final triste, sem a Joana, para mostrar que nem sempre as coisas são como planejamos, mas percebi que não agradaria muitos os leitores. Misturei então o amor de Jhonas, a amizade dele com Marcos, as crises no casamento de Jaqueline e Roberto, o bulling na escola e dentro de casa entre Lucas Julio e Jhonas, as aventuras de Marcos ao salvar Joana, e deu no que deu. Eu cheguei até a escrever a morte de Jaqueline, mas apaguei tudinho. O web estava previsto para ter vinte e cinco capítulos, mas as coisas aconteceram naturalmente, e dezesseis foram suficiente.

sábado, 5 de março de 2011

Paixão Precoce - Cap. 16 (FINAL)


JANEIRO DE 2010


Era o primeiro dia de dois mil e dez. Seis dias atrás, eu havia terminado com a Joana. Não contei para vocês sobre a virada do ano, por que foi horrível, assim como o Natal! A convivência com ela estava normal, nos falávamos apenas quando necessário.

FEVEREIRO DE 2010


Faltava apenas uma semana para o início das aulas, e eu resolvi que iria me dar uma chance para ser feliz. Uma chance de ser feliz sem ser com a Joana! Em uma tarde de domingo, recebi um telefonema do Marcos.

- Jhonas, posso ir aí em sua casa?
- Sim, sim.

Depois de alguns minutos, a campainha tocou, era o Marcos.

- E ai cara, o que houve? Entra.
- Meu pai Jhonas, ele foi transferido, e terá que ir embora, o que significa que não irei mais morar aqui.
- Sério?
- Sim, ele vai pro Rio.
- Por que você não quer ir?
- Ah, mano, meus amigos, minha vida é aqui em São Paulo.
- Marcos, se tem uma coisa que eu aprendi nos últimos tempos é que não devemos nos prender por causa de ninguém! Vai cara, vai ser legal, conhecer novas pessoas.
- Eu não sei...
- Se você for, promete escrever sempre, e está sempre on-line?
- Sim - falou ele rindo.
- Vai lá, vai ser bom, e você poderá vir aqui nas férias de São João, e fim de ano. Sempre manteremos contato.
- Obrigado por tudo cara - falou ele chorando, e nos cumprimentamos.
- Amigos são para essas coisas, quer comer alguma coisa?
- Não, tô afim de assistir um filme em 3D lá em casa, vamos?
- Tô dentro! - Falei!

Enfim, fui para a casa do Marcos, e nos divertimos o resto do dia. Liguei para meu pai para avisá-lo que dormiria lá, e no dia seguinte, pouco antes de ele viajar, me levou em casa.

- Valeu cara, escreva.
- Escreverei, e estarei aqui no meio do ano.
- Até mais.
- Até.

E eu passei normalmente minha semana. Comendo e dormindo, comendo e dormindo, apenas isso. Finalmente, chegou a segunda de ir ao colégio. Meu pai continuou me levando de carro. O primeiro dia foi como o de sempre de todos os anos: Fofocas de garotas de um lado, e brincadeiras de outro. Quando o sino bateu, continuei indo a biblioteca, mesmo sabendo que o Júlio já não estudava mais lá, e sabendo também que ele havia mudado. Ao entrar, me esbarrei com uma garota, e derrubei seus livros.

- Desculpe-me! - Falei, ajudando a pegar os livros.
- Não foi nada - falou ela.

Ela era linda. Morena, dos cabelos longos, me conquistou de cara.

- Você é que série? - Perguntei.
- Bom, sou sétima, e você?
- Sexta. Na verdade, era para eu está na sétima, mas enfim, sofri um acidente, e perdi um ano inteiro de coma.
- Nossa!
- Qual o seu nome?
- Gabi
- O meu é Jhonas, prazer - falei, dando um beijo em sua bochecha.
- Sou novata aqui, pode me ajudar a conhecer melhor o lugar?
- Claro, vamos lá!

E então eu mostrei cada canto do colégio. Cada detalhe, a história, coisas que aconteceram anos passados, e contei também minha história!

MAIO DE 2010


Eu estava completamente apaixonado pela Gabi, e ela parecia também gostar de mim. Mas enfim, quando nossos olhares se encontravam, o meu coração batia mais rápido, e eu já não sentia isso com a Joana.

Outro dia, em casa, recebi uma carta do Marcos.

Jhonas, meu amigo


Aqui no Rio de Janeiro é muito legal. Estou estudando em uma escola muito boa. Conheci uma garota chamada Bruna. Estamos namorando. Esse final de semana, fui ao pão de açúcar. Peguei aquele bondinho. Aquilo, que a gente passa de um lado para o outro dentro de uma bola enorme. Ele é pendurado em um enorme cordão de aço. Muito bom. Muitas saudades cara, aparecerei aí em Junho.


Abraços, Marcos

Fiquei feliz em saber que o Marcos iria aparecer, e que ele estava curtindo o Rio.

JUNHO DE 2010
Foi muito legal. O Marcos veio para cá, e ficou aqui durante um mês! Todos os dias nos víamos, e fazíamos alguma coisa legal! Depois, ele voltou novamente, afinal, as férias de São João já iriam acabar.

DEZEMBRO DE 2010
Foi o melhor mês de toda a minha vida! Foi quando falei para a Gabi que estava afim dela, e ela falou o mesmo pra mim. Começamos a namorar, e aí tudo começou a dar certo pra mim. O Marcos novamente veio para cá, e trouxe sua namorada. Marcamos todos de ir ao clube de piscina! Foi muito divertido.

FEVEREIRO DE 2011
O Marcos voltou ao Rio com sua namorada. Eu a Gabi, estávamos firmes. Minha mãe, começou a apanhar do Dr. Sinismo, e se tocou de que não valia a pena mais tentar ficar com ele, depois de descobri sozinha que ele a traia. O denunciou para a delegacia das mulheres, e ele foi preso. Ela, ficou cuidado do Marcos e do Lucas. Outro dia, ela até pediu pra voltar com meu pai, mas ele estava muito bem com a dona Valéria.

Nesse mês, o Lucas me pediu desculpas pelos transtornos que havia causado em minha vida, e disse que havia amadurecido a cabeça.

A Joana, começou a fazer um curso de violão nas tardes de terça e quinta, e dedicou-se mais aos estudos do que ao namoro, ela e a Gabi se davam muito bem.

HOJE
Hoje, estou aqui, escrevendo para você essa história, triste em terminá-la. Se lembra quando eu disse que ela não teria um final feliz? Retire o que eu disse. Estou mais feliz do que nunca.

- E aí amor, terminou de escrever o livro? - Perguntou Gabi.
- Sim.
- Vamos à praia?
- É pra já!

Fomos de pé até a praia próxima, e deitamos na areia quente diante das ondas.

Nossos lábios se encontraram, e eu fechei os olhos, de repente, parecia que eu estava em um paraíso, algo que eu não sentiria mais se beijasse a Joana, que agora, eu considero como irmã. O que eu sinto pela Gabi, é inexplicável, por que como diria Shakespeare, pobre é o amor que pode ser descrito.

Paixão Precoce - Cap. 15

- Joana! - Gritei!


- Estou bem! - gritou ela.

Desci correndo, e me abaixei para ajudá-la. Meus olhos se encontraram ao dela, e diante daquele fogo, os nossos lábios também. Eu não acreditei que aquilo estava acontecendo comigo. Eu nem sabia como, nem porque, eu não sabia de literalmente nada. Fichei meus olhos, e era como se estivéssemos em um paraíso, onde o fogo estava longe dali. Quando o beijo terminou, nos demos conta de que lá fora nossos pais deviam está arrasados.

- Joana, eu te amo, sempre te amei, e sempre vou te amar!
- Vamos? - Pediu ela.
- Não, não se você não me der uma chance.

Ela me beijou novamente, e eu tomei aquilo como um sim. Saímos lá fora de mãos dadas, e todos vieram nos abraçar. Um bando de repórteres e curiosos cercavam a casa. Quando nos distanciamos mais um pouco, a casa desmoronou literalmente.  Os médicos, já vieram nos amparando. Fomos ao hospital, tomamos soro, e oxigênio, mas eu tinha certeza, que não precisava daquilo. Nada iria me tirar da alegria que eu estava! Nada! Eu não sentia falta de ar, eu não sentia dores, nem queimaduras, nada!

25 DE DEZEMBRO DE 2009


Era dia de ceia lá em casa. Eu e a Joana assumimos nosso namoro para todos, e claro, aceitaram! Amigos de meu pai, o Marcos, e os amigos da Joana foram todos pra lá! Apareceu também minha mãe, o Lucas, e até o Júlio, o Dr. Sinismo não havia aparecido, ainda bem.

- Jhonas, pode fazer um favor aqui? - Pediu o Júlio.
- Hi, o que que é? Quer infernizar minha vida mais uma vez?
- Não cara, por favor, vem aqui.

E eu fui, como sempre.

- Eu queria te pedir desculpas pelo que fiz. Eu perdi de ano, e sofri muito com isso. Dizem que as pessoas só se ligam de que a vida não é uma brincadeira quando quebra a casa, e eu amadureci. Tá sendo difícil pra mim. Para muitos, pode não significar muito, mas eu praticamente joguei trezentos e sessenta e cinco manhãs na minha vida fora, indo para a escola brincar e brigar. Aceita minhas desculpas? - Ele parecia ser sincero ao falar aquilo. - Você, passou de ano, ficou em recuperação, mas passou, se esforçou, e eu, tive como consequência de brincadeiras a perca de ano.
- Eu aceito sim cara, pessoas erram, isso é humano, e mais humano ainda é assumir os seus erros.
- Obrigado - falou ele estendendo a mão. Eu o cumprimentei.
- Agora tenho que ir.
- Valeu.

Quando fui comer alguma coisa, a Joana me chama.

- Oi amor - falei abraçando-a e tentando beijar sua boca, mas ela desviou. - O que foi?
- Precisamos conversar - eu não estava gostando nada daquela expressão dela.
- O que foi? Estou ficando confuso.
- Sabe, desde o dia em que começamos a namorar...
- Você vai terminar comigo, não é?
- Jhonas, é que eu não sinto em você o que eu sentia pelo Léo quando estava apaixonada por ele. Lógico, hoje se ele estivesse vivo, eu não iria querer olhar na cara dele, mas alí, no momento, antes de ele ser ignorante comigo, eu não sentia  mesma coisa quando estava perto dele.
- Por que você fez isso comigo? Por que brincou com os meus sentimentos?
- Jhonas...
- Deixa pra lá.

Sai, e me tranquei em meu quarto. Fiquei me perguntando se as coisas nunca se ajeitariam! De repente, bateram na porta!

- Jhonas, abre, sou eu, o Marcos!
- Me deixa em paz - gritei!

Continua

Paixão Precoce - Cap. 14

* ANTES DE COMEÇAR A LER ESTE CAPÍTULO, DESÇA ATÉ SUA METADE, E DÊ POUSE  NO ÁUDIO QUE VOCê ESTÁ OUVINDO.



Eu tinha que levar minha vida normalmente, não é mesmo? Então, eu ia para escola, sorria com colegas, enfim, não morri por que a Joana estava gostando de um garoto. Mas um dia, chega ela pra mim, e conta:

- Jhonas, estou namorando o Léo.

Novamente, aquela onda de ciúmes tomou conta de mim, mas eu tinha de me controlar. Comecei a chorar escondido, e minha fisionomia estava começando a mostrar isso.

SETEMBRO 2009
OUTUBRO 2009
NOVEMBRO 2009
DEZEMBRO 2009


A paixão entre Joana e Léo era de dar nojo. Ele, chegou até ir lá em casa. Ele aparentava ter uns quinze anos. Eu não sei como a mãe da Joana tinha aceitado aquele namoro, mas aconteceu. Mas aí, Joana começou a me contar que o namoro não estava mais como antes. Ele havia começado a ficar ignorante com ela, soltando palavrões, e tudo mais.

Na metade de Dezembro, Joana terminou o namoro com o Léo, e sem querer aceitar o término do relacionamento, ele começou a ligar pra minha casa ameaçando a Joana. Dizendo que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém. Para alguém que nem gostava da menina, ele estava muito agarrado a ela, não acha? Eu ainda estava indo para a escola, por causa das aulas de recuperação. Outro dia, quando cheguei, recebi um telefonema com uma voz estranha dizendo que faltava pouco. No dia seguinte, quando voltei da escola, me deparei com todos os móveis caídos no chão. Uma bagunça! Quando vi na geladeira, tinha um bilhete.


E aí, bobalhão, se lembra de mim?
O Léo. Lembra quando eu falei que,
se a Joana  não fosse minha, não se-ia
de mais ninguém? Pois é, eu avisei. Venha
logo salvá-la, antes que seja tarde demais
Talvez só dê tempo para você se despedir
dela. Estamos em minha casa, abaixo vai
o endereço.

Do seu amigo, Léo.

E logo abaixo, tinha o endereço da casa dele. Peguei um táxi, e entreguei o pedaço do papel onde tinha o endereço ao cara do carro. No caminho, liguei para meu pai, que falou que iria ligar para minha mãe e a dona Valéria. 

- Obrigado - falei dando o dinheiro ao homem, quando o táxi parou.


*A partir de agora, dê play abaixo e continue sua leitura


Na casa enorme, não tinha nada de estranho, mas eu sabia que o Léo estava me olhando de uma daquelas janelas de vidro. Meus pais e dona Valéria chegaram. 

- Ai meu Deus, onde está minha filha? - Perguntou dona Baléria
- Calma dona Valéria, ela está lá dentro, pai, me dê sua mala. 

Meu pai me deu a mala dele, e eu quebrei a porta de vidro da casa. Entramos. Um odor enorme de gasolina estava ali dentro. Na sala, tinha uma escada. Quando entramos, vimos lá em cima, a Joana, e o Léo. Ele estava agarrando ela, e tapando a boca dela. 

- Solta ela - pedi
- Seu moleque, mas não solto mesmo, só quando eu morrer.

Ele acendeu o isqueiro, e tudo começou a pegar fogo. Ele entrou lá pra dentro, e eu ouvi o barulho de uma porta bater. Ele havia entrado em algum quarto com a Joana, e provavelmente, se trancado com ela lá dentro, até os dois morrerem cremados. Meus pais começaram a me puxar, e puxar a dona Valéria.

- Me solta! - Gritamos juntos, mas eles não nos obedeceram. Quando estávamos-mos do lado de fora da casa, de repente, a sala explodiu. O fogo saiu pelas portas, e eu me desesperei. Lá de baixo, eu via a Joana na janela de vidro, sendo atacada por Léo, no último andar da casa. - Joanaaaaaaaaaa! - Gritei. Ele pôs as mãos para fora, mas depois, o Léo a puxou. De repente, me deu um ataque de impulso, e eu sai correndo em direção a casa. Quando estava perto da porta, ouvi a Joana gritar.

- Jhonas, me salve!
- Jhonas, não faça isso, não entre ai - Pedia minha mãe.
E quando me vi, eu já estava próximo da escada. Eu corria para salvá-la diante daquele fogo ardente.
- Socorro! 

E foi aí que eu percebi. O meu sonho, estava se realizando. Dizem que se não contar os sonhos para ninguém, ele pode se realizar, e eu não contei, e ele estava se realizando, e eu estava ficando doido, e eu ia morrer, e a Joana iria morrer e... E eu não sabia mais o que fazer. As coisas coisas caia sobre mim. Subi a escada, e me deparei com um corredor cheio de portas. Todas fechadas. 

- Em qual porta você está Joana? Onde você está?
- Socorro, me ajude - Gritou Joana batendo mais forte. Foi ai que percebi: a última porta, lá no final do corredor.

Sai correndo. Eu não tinha força suficiente para arrombar aquela porta, mas atrás de mim, havia acabado de cair um pedaço de madeira. Então, me distanciei, e fui em direção a porta, correndo.

- Se afasta Joana - Gritei!

A porta se abriu, o Léo, estava vindo em minha direção, quando Joana me empurrou para me livrar dele. Quando cai no chão o pilar estava caindo sobre mim. Nesse momento, eu me arrastei de lado, e por pouco, não fui amassado por um enorme pedaço de gesso. O Léo, tropeçou no pilar, e o outro estava prestes a cair. Depois, eu não o vi mais. Pela primeira vez, eu tinha assistindo ao vivo e em cores, a morte de uma pessoa.

- Por aqui Joana!

Estávamos perto da porta, quando caiu em nossa frente outro pilar. Pulamos, e fomos direto para a escada. No primeiro degrau, a Joana tropeçou, e rolou até lá embaixo.

Continua

Paixão Precoce - Cap. 13


O dia todo como previsto, passei dentro de casa. Não pus os pés para fora. Sem a presença daquelas pessoas que estavam em minha casa, tudo estava uma maravilha. Como prometido, meu pai trouxe umas roupas pra mim, e minha farda. Fui para meu quarto. De repente senti saudades de minha cama, mas estava tudo muito bom.

- Boa noite filho
- Boa noite pai

Desliguei o abajú, e dormi.

"Jhonas, me salve, gritava Joana"
"Jhonas, por favor, não faça isso, pedia minha mãe"
Eu corria para salvá-la diante daquele fogo ardente. 
"Venha Joana"
"Socorro, gritava Joana"

Eram tantas portas. Eu não sabia em qual delas Jeovana batia. O fogo aumentava, as coisas caiam sobre mim, aumentando o barulho, e minha confusão
"Em qual porta você está..."
"Jhonas, volta aqui, já", gritava meu pai
"Socorro, me ajude"


E eu acordei assustado. Eu não sabia por que estava tendo esses pesadelos. Cada dia que passava, eles se completavam, cada noite, eu sonhava mais um pouco. Tive vontade de voltar a dormir, mas já era hora de se levantar. Me arrumei, e tomei um café.


- Pai, você me dá uma carona até a escola?
- Dou sim Jhonas, é caminho.
- Pai... - Pensei em falar do sonho, mas deixei pra lá.
- Oi filho.
- Deixa pra lá, vamos?
- Vamos.


No caminho, meu pai começou a falar.


- Jhonas, o que você pensaria de mim se eu namorasse alguém?
- Ué, o que tem? Só não me conformei com minha mãe por que ela te traiu, e ainda por cima o cara que ela conheceu é chato, por que isso?
- Nada não...
- Você está gostando de alguém?
- Sim, mas deixa pra lá!
- Não, me conta.
- O nome dela é Valéria.
- Valéria Polizzi?
- Você a conhece?
- Sim, conheço, é a mãe da Joana. Quando tinha trabalho de escola, nos reuníamos na casa da Joana, e ela nos tratava muito bem.
- Legal ela né?
- Sim, mas eu não me lembro se ela é casada, a Joana nunca me contou.
- Não, ela se separou há alguns anos.
- Mas então, você já pediu ela em namoro?
- Ela disse que tem medo da filha não aceitar
- Eu conheço a Joana, ela vai aceitar, ela não é de prender a mãe.
- E se as duas fossem morar lá em casa?
- O que há nisso? - Perguntei expressando uma cara de desinteresse, mas por dentro, eu estava explodindo de alegria. Imagine só? Morar com o amor da minha vida? Era minha chance.
- Ué, pensei que não concordaria, mas... E você e a Joana?
- Ela não sabe que gosto dela ainda, não há problemas, o que importa é que você estará feliz.
- Ah filho, obrigado.
- De nada pai - falei rindo.
- Prontinho - falou ele parando o carro em frente a escola.
- Tchau pai.
- Até mais Jhonas.


O colégio, foi como sempre. Aulas, aulas e mais aulas. O intervalo, também passei dentro da biblioteca. Eu aproveitei e comecei a ler "Depois Daquela Viagem", a história de uma menina que foi infectada com o vírus do HIV, e que consegue superar preconceitos e coisas do tipo. Mas enfim, com maior cuidado para não ver o Júlio e sua turma, fui correndo para a sala quando tocou o sino. No final, fui para casa a pé.


Chegando, vi que a Joana e sua mãe já estavam lá. Que ótimo, muito bom.


- Oi Joana, oi dona Valéria, fico feliz por vocês morarem aqui.
- Oi garoto, tudo bem? - falou ela rindo.
- Jhonas - falou Joana me abraçando e rindo.
- Quem diria né? Nós ex-colegas de sala, morando no mesmo teto - falei retribuindo o abraço.
- É mesmo - falou ela caindo em gargalhadas.
- Onde você vai dormir?
- Daqui a pouco chegará o caminhão com algumas coisas lá de casa, eu trouxe minha cama, se importa se eu colocar dentro de seu quarto?
- Não, não, pode colocar, não me importo, vai ler legal a gente se ajudar nas tarefas.
- Jhonas, gostou? - Perguntou meu pai.
- Gostei sim, duas pessoas pra animar mais o ambiente, muito bom - falei rindo.


Minha vida estava finalmente entrando nos eixos. 


AGOSTO DE 2009


Já tinham se passado cinco meses desde que a Joana e sua mãe tinham se mudado para casa do meu pai. Minha mãe, eu não via há uns dois meses, por que ela estava muito feliz com o idiota dela, pelo menos era o que parecia. O Júlio, foi expulso do colégio no meio do ano por causa da briga que arrumou com um garoto da mesma sala. O meu sonho, cada dia ficava mais assustador. Numa tarde de Domingo, eu estava acessando, quando deu aquele sono, meu pai e dona Valéria tinham saído. Eu e a Joana, ficamos em casa. Quando entrei no quarto, vi a Joana chorando.


- Joana? O que houve?
- Jhonas, me ajude - falou ela, abraçando-me.
- O que houve, o que você tem?
- Eu estou apaixonada por um garoto do colégio, mas ele disse que não gosta de mim.


As palavras delas, entraram pelo ouvido, e desceram para o coração. Um jorro de ciúmes tomou conta de mim. Meu coração disparou fortemente, e eu tive vontade de chorar. A Joana estava me vendo como um amigo-irmão, e eu não gostava nada disso. Meu Deus, o que eu devia falar?


- Joana, tenho que desligar o fogão, espera, deixei o assado no fogo. - Eu não sabia o que estava falando, mas falei.


Sabendo que ela não viria atrás de mim, fui para o sofá, e comecei a chorar. Que sensação horrível.


Continua

Paixão Precoce - Cap. 12



Chegando em casa, estavam lá o Lucas e o Júlio. Minha mãe, ainda não havia chegado do trabalho, e o homem dela, eu não sabia aonde havia se metido. Vou chamar esse cara de Dr. Sinismo, ok? Quando entrei, comi alguma coisa, e fiquei na sala assistindo alguma coisa. Minha mãe e o Dr. Sinismo já estava chegando, eu ouvia o portão se abrir.

- Jhonas, pode vir até aqui? - Chamou-me Lucas.
- O que é? - Falei, me aproximando.

Vi que os olhos do Lucas estavam rochos, e os braços do Júlio também.

- Para Jhonas, me solta, pare de me bater - gritou meu irmão.
- Solte ele Jhonas, deixe o seu irmão em paz - gritou o Júlio.

Eu não sabia o que estava acontecendo. Quando a porta da sala se abriu, o Lucas e o Júlio se jogaram em cima de mim.

- Mãe, socorro, manda o Jhonas parar de bater em mim e no Júlio.
- Mas eu não...
- Jhonas, pare com isso agora - falou minha mãe me puxando com força.
- Ei garoto, com meu filho ninguém se mete, tá ouvindo?

Foi aí que o Dr. Sinismo me puxou e começou a me espancar.

- Para, me solta! - Gritei.
- Isso é pra você nunca mais fazer isso com o Júlio, tá ouvindo muleque?
- Você não é meu pai para me bater, me solta! - E ele me jogou com força no chão.

Subi correndo, bati a porta do meu quarto tão forte, que talvez a escada poderia ter tremido. Tranquei, e comecei a fazer minhas malas. Eu iria fugir de casa, e pela janela novamente. Da última vez que aconteceu de eu sair de casa escondido, fiquei em coma por um ano, mas nada iria me impedir. Com as malas prontas, subi na cama, abri a grade da janela, joguei com cuidado as malas lá embaixo, e pulei. Novamente, eu não havia me ferido. Sai correndo que nem um louco pela cidade. Eu estava indo para casa do meu pai. Chegando perto de uma ponte, percebi que havia dois caras me seguindo. Eles começaram a adiantar os passos, e eu também, mas, foi inútil. Um deles passou por minha frente, e o outro ficou atrás. Começaram a se aproximar, e anunciaram:

- Passa tudo garoto, tudo que tive.
- Por favor, não me matem - Pedi quando apontaram uma arma em minha cabeça.

Depois, pegaram tudo, e me jogaram numa força tão grande, que bati a cabeça, e desmaiei, perdi a consciência.

Quando acordei, já era dia. Aquela altura, minha mãe já tinha percebido que eu havia fugido, e meu pai também. Sem celular, nem mala, continuei andando para a casa do meu pai. Peguei o elevador, e cheguei em frente ao seu apartamento, quando toquei a campainha, e ele abriu a porta, veio logo me abraçando.

- Filho, o que você fez meu filho, você está bem?
- Estou pai - falei retribuindo o abraço. - Fugi de casa, deixe eu ficar aqui, por favor.
- Entre - falou ele. - Filho, sua mãe ligou falando que você não estava em seu quarto.
- Mas aqui estou, por favor, deixe-me ficar.
- Cadê suas coisas? Por que você saiu de casa ontem a noite, e só voltou hoje? E por que saiu de casa? Por que não atendia o celular?
- Eu fui assaltado no caminho, levaram todas as minhas roupas, e meu celular. Me jogaram no chão com uma força tão grande, que eu desmaiei, e só acordei hoje de manhã. Sai de casa por que as armações do Lucas estão me deixando louco. O Júlio, filho do cara que minha mãe está, e que levou para morar em casa...
- Ela levou o homem para casa?
- Sim, mas enfim, ele e o Lucas disseram que eu havia batido neles. Não sei onde arranjaram aquelas manchas no olho e nos braços, mas disseram que tinha sido eu, e ai o homem de minha mãe me bateu, por isso as manchas em meu corpo, não foram só por causa do assalto.
- Ah, mas ele vai se ver comigo agora. - Falou meu pai levantando-se.
- Não pai, por favor, deixe pra lá, eu lhe imploro, não quero mais problemas.
- Tá bom, eu vou fazer isso por ti, mas se esse cara se meter com você mais uma vez contigo...
- Pai, tem mais uma coisa que quero te contar.
- O que?
- Eu peguei esse cara traindo minha mãe, no sofá da sala com uma prostituta, e ele me ameaçou se eu contasse pra alguém, foi mais um motivo que me levou a fugir de casa.
- Perai, ele foi longe demais. Agora ele vai se ver comigo.
- Pai, para, por favor, deixa pra lá, eu já estou aqui, estou bem, só preciso que você compre algumas roupas pra mim, simples mesmo, e que passe na escola para pegar uma nova farda, por que a minha estava na mala.
- Tá bom então meu filho, mas tome cuidado. Eu estou indo para o trabalho agora, e não abra a porta pra ninguém.
- Ok, prometo.

Foi quando o telefone de meu pai tocou.

- É sua mãe - falou ele - vou atender. - Alô? - E alguns segundos se passaram - Sim, ele está aqui, quer falar com ele? - E mais alguns segundos se passaram - Só um minuto - E meu pai me passou o telefone.

- Alô? - Falei.
- Filho, vem pra casa, por favor filho.
- Não mãe, eu não volto mais, vou ficar aqui com meu pai.
- Jhonas, não faz isso comigo.
- Mãe, não aparece aqui, por favor, eu não volto para casa, e não quero te ver. - E eu desliguei.
- O que ela falou? - Perguntou meu pai.
- Pediu para eu voltar, mas não vou.
- Filho, fica a seu critério, não vou te obrigar. Mas agora, tenho que ir ao trabalho, nos vemos meio dia, hoje a tarde compro o que me pediu.
- Tá bom então pai, abraços.
- Meio dia estou aqui, abraços.

Aproveitei a manhã , e fiquei assistindo televisão, era só o que tinha para fazer, já que eu não iria para escolar depois de ser assaltado.

Continua

sexta-feira, 4 de março de 2011

Paixão Precoce - Cap. 11



Eu nunca dormi tanto em uma tarde. Acordei sete e meia, mas eu preferia não ter acordado. Liguei para a Joana, eu queria tê-la naquele momento apenas como uma amiga, apesar de ainda amá-la, mas eu precisava desabafar. Ninguém atendeu, então liguei para o Marcos. Marcamos de no dia seguinte a tarde, irmos na sorveteria. Levantei da minha cama, e desci. Quando fui a cozinha, deparei-me com o Lucas e o Júlio no computador. Lógico, eles eram igualzinhos, tinham de se dar bem. Fui para o lado de fora tomar um ar fresco.

Sentado no banco, fiquei pensando no que iria fazer nessa noite, uma vez que, eu dormiria ao lado do idiota do Júlio. Era isso, ou dormir na sala, e eu não abriria mão do meu quarto para um idiota como aquele.

Depois de muito tempo tomando um ar, olhei no relógio, e já eram dez hora. Entrei, e todas as piadas do Lucas e do Júlio, eu não respondia. Calado, comi alguma coisa, subi, tranquei a porta do meu quarto, e dormi. Sim, tranquei a porta. Decidi que o gordo não iria dormir comigo. Torcendo para não baterem na porta, caí no sono, e aí nem um tiro me acordaria.

No outro dia, acordei, tomei um banho, me arrumei, tomei um café, e na hora da saída, minha mãe gritou:

- Jhonas, espere o Júlio, ele vai com você!

Mas é só o que me faltava não é? Além de ter que conviver, eu teria quer ir com ele esperar ônibus da escola, o que eu deveria fazer com ele depois? Levá-lo para sorveteria a tarde?

- Vamos lá, seu mané - falou ele baixinho comigo.

No caminho, ele não parava de me dar susto, dizendo que iria me bater se eu não desse para ele o meu caderno. Eu não dei, mas ele o puxou de minha mão.

- Me devolve.
- Mas não devolvo mesmo. - E começou a gargalhar.

Um caminhão estava indo, e logo atrás o ônibus. Ele jogou meu caderno, e o caminhão passou por cima. Aí ele riu tanto, que só não caiu na pista por que segurei.

- Seu merda! Me deixa em paz!

Fui buscar meu caderno, no meio da pista, que estava literalmente amassado, e todo marcado. Quando olhei para trás, o ônibus já havia passado, e já tinha pego o Júlio. Tive uma sensação de dejavú. Me lembrei da vez que atravessei para ir falar com uma garota parecida com a Joana, e quando vi, eu tinha perdido o ônibus. Tendo novamente que ir de pé, eu resolvi que não iria ao colégio. Ao me lembrar que minha mãe já havia ido ao trabalho, e que aquele cara estaria lá em casa, me deu vontade de ir para escola, mas eu estava cansado demais, apesar de ter dormido tanto.

Quando entrei dentro de casa, vi o namorado de minha mãe, se agarrando no sofá com outra.

- Eu posso saber o que está acontecendo aqui?
- Muleque, se tu falar uma coisinha se quer pra tua mãe, você não a verá mais.
- Você está me ameaçando?
- Tem amor a vida? Fica calado. Sai daqui, toma o dinheiro. - Falou ele dando o dinheiro a moça, que provavelmente era uma garota de programa, ela saiu.

Mas era só o que faltava para completar meu dia. Descobri que minha mãe havia acabado com um casamento de sua vida praticamente toda, pra ficar com um cara que conheceu não sei quando. Esses adultos são sempre assim, não é? Ninguém entende. Mas enfim, eu já estava acostumado, e não ligava se minha mãe estava sendo traída, afinal, ela merecia, mas ela era minha mãe, e eu precisava contá-la aquilo, só que eu estava sendo ameaçado, pode?

- Eu não vou contar nada, mas não é por que você está me ameaçando.
- E é por que então? Acha que estou brincando? Vai lá, conta pra alguém o que você viu aqui.

Fiquei no computador o resto da manhã, minha mãe chegou, o Lucas e o Júlio chegou, e eu acessando. Sem responder uma palavra do que me perguntavam, eu vesti uma roupa simples, e fui ao meu encontro com o Marcos. Peguei um táxis, e quando cheguei na sorveteria, ele já estava lá.

- E aí Marcos? - Falei o cumprimentando.
- E aí cara, quanto tempo né? A gente está amadurecendo, aparecendo compromissos, problemas, e aí, você sabe...
- É infelizmente sim, vai pedir alguma coisa?
- Eu já fiz o pedido, daqui a pouco chega minha torta.
- Vou pegar o mesmo, espera um pouco.

Peguei a fixa, dei a moça, e ela pediu para eu aguardar, que minha torta já iria chegar a mesa.

- E aí cara, o que está acontecendo?
- Está tudo de cabeça pra baixo em minha vida Marcos.
- Como assim?
- Primeiro, o acidente, depois, um ano de vida jogado fora, e eu, virei um atrasado. Você já na sexta, e eu continuei na quinta série.
- Isso você vai superar.
- Mas não é só isso. Agora te conto as coisas mais sérias: Flagrei minha mãe na cama com outro homem, contei para meu pai, e eles se separam.
- Nossa cara, que coisa.
- E tem mais: Há alguns dias, descobri que um pirralho da escola que chegou até me bater, vai morar comigo pro resto da minha vida, por que ele é filho do cara com quem minha mãe estava. O nome dele é Júlio, ele e o Lucas não fazem outra coisa a não ser atazanar meu juízo.
- Meu Deus Jhonas, a coisa está séria mesmo.
- Perai, tá pensando que acabou? Hoje de manhã, flagrei esse cara que não faço questão de saber o nome, com uma prostituta dentro da minha própria casa, e ainda me ameaçou dizendo que se eu contasse pra minha mãe algo de ruim aconteceria.
- Não, mas perai mano, essa história tá ficando séria demais, você tem que contar isso pra alguém.
- Não vou, minha mãe parece. Ela traiu meu pai.
- Fica a seu critério, eu não vou te aconselhar fazer nada, você viu o que aconteceu da última vez.
- Realmente.

Foi quando nossa torta chegou. Comemos, e nos levantamos.

- Olha, nos falamos depois, eu tenho várias tarefas pra fazer - falou Marcos.
- Eu também tenho, mas não tenho paciência para fazer nenhuma.
- Cuidado! Se cuida!
- Valeu cara, obrigado.

Já era mais ou menos cinco horas, e eu voltei para casa a pé.

Continua

Paixão Precoce - Cap. 10



No outro dia de manhã, acordei cinco e meia. Aproveitei a oportunidade de despertar cedo para não ver a cara de minha mãe. Tomei um banho, um café, e fui para o ponto de ônibus. Do meu bairro, apenas eu pegava o buzú. Quando ele chegou, entrei, e procurei uma poltrona. Estavam todas ocupadas. Mas uma, estava livre, então eu sentei. Quando olhei para o lado, adivinha com quem me deparo? Adivinha? Com aquele pirralho da escola. Parecia ter mais ou menos um metro e sessenta, tinha o cabelo picotado, era mais gordo que um botijão. Mas, pra minha sorte ele não estava com aqueles amigos idiota. Levantei-me, preferindo ficar em pé.

- Senta aqui, mané - Ele falou com um tom de ordem.
- Não quero.
- Você não tem querer, senta.
- Não, eu já disse, não quero.

Foi aí que ele me puxou. Quando percebi, ele já ia me dar um murro, e eu desviei a cara. Não sei como deu tempo, mas desviei.

- Para, me deixa em paz.

E todos começaram a ri de mim, quando o ônibus parou. Havíamos chegado. Desci, e fui direto para a sala. O professor de matemática em seus dois horários explicou álgebra. Ciências, no terceiro horário, continuou a explicar sobre sexualidade. Chegou finalmente a hora do intervalo. Passei o tempo todo dentro da biblioteca, temendo encontrar aquele pirralho, cujo nome ainda não sabia. Lá, era um lugar que aquele tipo de gente provavelmente não iria entrar. O sinal bateu, deixei todos voltarem para sala, e fui para a minha sala também. Os dois últimos horários, era de arte. Cubismo foi o assusto do dia. Quando tudo acabou, fui para o lado de fora da escola, esperar meu pai. Ele chegou, entrei no carro, e fomos para onde ele estava.

- Pai, onde você está morando?
- Jhonas, aluguei um apartamento, vou ficar lá agora.
- Você e a mamãe...
- Não Jhonas, não vai ter volta.

Quando chegamos, olhei meu celular. Haviam exatamente TRINTA ligações de minha mãe. Foi quando lembrei: Eu não havia visto ela de manhã.

- Jhonas, eu vou trabalhar, só te trouxe aqui para ver o caminho pra cá. Quando quiser vir aqui, pode vir.
- Tá bom, me leva em casa?
- Sim filho.

No caminho de volta, fiquei olhando as lojas. Sem pensar em nada. Um momento de paz, era aquele.

- Está entregue filho. - Foi quando percebi que o carro havia parado.
- Você não quer entrar?
- Não mesmo, até mais Jhonas, eu te amo meu filho.
- Também te amo pai.

Deixei meu pai sair, e abri a porta. Quando entrei, não havia ninguém em casa.

- Lucas? - Gritei, ninguém respondeu, e provavelmente ele ainda não havia chegado.

Ouvi uns passos vindo da cozinha, era minha mãe.

- Jhonas, quero que você conheça uma pessoa.
- Quem?

E saiu de trás dela o mesmo cara com quem a vi no motel.

- Perai, você mal se separou do meu pai, e já está com outro?
- Ele teu um filho, você vai gostar dele.
- Eu não estou gostando nem de você mais, vou gostar do filho de um cara que nunca vi?
- Jhonas, olha ele aí, chegou. - Quando olhei para trás, dei de cara com o pirralho da escola. Não pode ser, eu não podia morar com ele.
- Você? - Falamos juntos.
- Mas era só o que faltava-me.
- Vocês já se conhecem? - Perguntou o homem.
- Olha, eu não vou ficar aqui, vou pro meu quarto, e NINGUÉM, NINGUÉM vai entrar lá, está ouvindo?
- Mas Jhonas, o Júlio... - Então o nome dele era Júlio? - O Júlio vai dormir no seu quarto.
- Ah, mas não vai MESMO! - Subi correndo, fechei a porta, e deitei na minha cama.

Encostei a cabeça no travesseiro, que estava sendo meu melhor amigo nos últimos tempos, desde o hospital, e dormi, sem almoçar, mais uma vez.

Continua

quinta-feira, 3 de março de 2011

Paixão Precoce - Cap. 09


- Jhonas, eu vou fazer algumas compras no shopping. - Falou minha mãe.
- Ué, você nunca faz compras. - Perguntei desconfiado
- Deu vontade... De repente. - Eu vi que aquele olhar era de se duvidar.
- Tá bom então.

Quando minha mãe saiu, saí atrás dela. Ela ia abrindo o portão para sair da garagem, quando entrei no carro, e me escondi no banco de trás, sentadinho bem ao lado da porta. Eu não sabia se era o certo a fazer, mas era o que meu coração estava mandando. O caminho que ela ia, nem eu dava para ver. Eu não podia mover um fio de cabelo, que ela perceberia. De repente, o sol fraquinho de fim de tarde sumiu. Estávamos em um estacionamento. Será que minha mãe realmente estava indo ao shopping? Quando ela saiu do carro, destravei a porta, e fui para a parte de fora do estacionamento. Eu não estava em shopping nenhum. Olhei para cima. Eu estava em um motel.

Minha mãe ainda estava em vista. Eu a segui escondido atrás das paredes, tomando o maior cuidado para que nenhuma recepcionista me visse. Ela pegou um elevador. Eu tive de esperar até ele descer novamente, e então entrei. Eu não fazia idéia para qual andar ela havia ido, mas eu procuraria um por um. Cada andar, ao que parecia, era um quarto. Era um tipo de motel pequeno, então seria fácil. Depois de algumas tentativas, quando cheguei no sexto andar, me deparei com minha mãe em frente a porta do quarto daquele andar. Um homem atendeu, ela entrou, e eu, não sabia o que fazer. Saí do elevador, e fui ver se conseguia abrir a porta. Passava na hora a faxineira. Escondi-me em atrás de uma planta. Quando ela passou com seu carrinho, avistei um chaveiro com VÁRIAS chaves. "Alguma dessas deve abrir aquela porta". O puxei rapidamente, e deixei a faxineira sair. Comecei a tentar abrir a porta, e por sorte, na sétima tentativa, consegui. Entrei, e não acreditei no que vi: Minha mãe na cama com outro homem.

- Mãe? - Perguntei. Eu não tinha motivo para gritar. Eu estava decepcionado, e quando estamos decepcionados, choramos, mas eu prendi.
- Jhonas! - Falou ela colocando a coberta para cobrir o seu corpo.
- Jaque amor, ele é seu filho? E aí amigão. - Falou aquele idiota para perturbar ainda mais meu juízo.
- Jhonas, não é o que você está pensando! - Tentou enganar-me ela.
- Não estou pensando, eu estou vendo, e ouvindo, mãe, nunca imaginei isso de você, estou decepcionado, o pai tinha razão. Quem é você para falar de amor? E você merece mesmo apanhar.

Eu saí correndo, e sem ligar para que me vissem ou não, fui para a parte de fora do Motel. Já era de noite. Parecia ser umas seis e meia. Sem saber o caminho de casa, chamei um táxi, falei o meu bairro e minha rua, e fui.

- Espera só um minuto moço? Vou pegar o dinheiro em minha casa.
- Ok garoto, te espero aqui.

Quando abri a porta, vi que o Lucas já havia voltado do chamado "Baba", e que meu pai também ainda não estava em casa. Fui ao meu quarto, peguei a nota, e voltei lá fora.

- Pode ficar com o troco. - Falei
- Obrigado - e ele se foi.

Quando voltei para casa, o Lucas perguntou:

- O que foi? Idiota?
- Lucas, não enche.

E ele começou a rir de mim.

- Nossa, como está triste, o sentimentalista está triste, olha só...

A porta se abriu, era meu pai.

- Pai - levantei-me impulsivamente.
- Oi Jhonas.
- Pai, preciso conversar com você... - E depois de alguns segundos - Em particular.

O Lucas saiu da sala, e comecei.

- Pai, de onde você tirou a história de que minha mãe te traia?
- Jhonas, desde o ano passado, pouco antes de você sofrer o acidente, um amigo meu disse que a tinha visto entrando em um Motel. Ele até brincou comigo, dizendo que eu e a sua mãe estávamos tentando fugir um pouco da rotina, mas eu não fui no motel com ela.
- Pai, eu a segui hoje.
- Jhonas, por que fez isso?
- Ela te trai!
- O que?
- É isso mesmo pai, ela te trai. Eu a peguei com um cara estranho na cama lá no motel.
- Jhonas, você tem certeza do que está falando?
- Absoluta.

E de repente, a porta se abriu novamente. Era minha mãe. Meu pai, sem palavras, foi para seu quarto.

- Jhonas, o que você fez?
- Contei para ele.
- O que você contou para o Roberto?
- O que vi.

Sem respostas também, subi para o meu quarto, mas na escada, deparei-me com meu pai descendo com sua mala.

- Pai, para onde você vai?
- Para qualquer lugar, longe dessa vadia!
- Pai, me espera, eu vou com você.
- Não Jhonas, olha, eu te pegarei na escola amanhã, e conversamos.
- Pai...

E ele saiu.

- Tá vendo o que você fez?
- Se você não tivesse contado, nada disso teria acontecido.
- Se você não tivesse o traído, eu não teria o que contar.

Eu não podia mais ficar discutindo com minha mãe, paciência esgotou, então eu subi para meu quarto para pensar o que iria fazer da vida daquele momento para frente.

Continua

quarta-feira, 2 de março de 2011

Paixão Precoce - Cap. 08

Cinco dias se passaram desde o dia em que voltei para casa. Eram seis e meia, e era também dia de ir para a escola. Fiquei triste quando lembrei que não veria o Marcos, e que as pessoas iriam me ver como um novato. Droga! Levantei-me, tomei um banho, desci, tomei um café mais leve que o de sempre, e fui para a escola, ainda de ônibus. Lá, nada havia mudado. Literalmente nada.


As pessoas me olhavam de forma estranha. Poucos me reconheciam, e muitos pareciam nunca terem me visto antes. Foram passadas três horas, até que chegou a aula de ciências. A professora explicou sobre sexo, preservativos e blá, blá, blá.

- Na idade de vocês meninos, já devem está aparecendo pêlos em partes íntimas, e os espermatozóides começam a se manifestar, isso significa que, se algum de vocês transarem com alguma garota, o que não vai acontecer, por que são novos demais, vocês correm o risco de deixar alguma menina grávida. No caso das meninas, elas começam a menstruar... - E foi assim por toda aula. Algunas perguntas aqui, outras alí, até que o sinto bateu.

O que mais me surpreendeu em meu primeiro dia de aula depois de uma contra-verso em minha vida, foi que eu estava mais atento. Eu não sei se era medo de repetir novamente o ano, ou medo de novamente ficar sem poder ver a Joana. Pouco antes de sair da escola, eu esbarrei em um garoto.

- Desculpa, foi mal!
- Foi mal mesmo, mané.
- Ei, eu não te chamei de mané.
- Quer tirar onda? - E ele estralou os dedos. Mais três garotos apareceram atrás dele. - Tem certeza que quer tirar onda?
- Olha, eu não quero brigar.
- Mas eu também não. - Falou quando viu que um dos diretores se aproximavam. Eu estava me sentindo o Chris da série em sua escola, em frente ao Caruso.
- Eu vou indo então - Falei.
- Vai lá, mané - Falou o garoto de trás, com o tom mais baixo. Talvez com medo do diretor, eu não sabia, mas enfim, era hora de ir para casa.

Chegando lá, pouco antes de abrir a porta, ouvi gritos.

- Para Roberto, para! - Era minha mãe.

Impulsivamente, abri a porta rapidamente, e vi uma das piores cenas da minha vida. Minha mãe, apanhando de meu pai.

- Posso saber o que significa isso? - Gritei olhando furiosamente para o meu pai.
- Jhonas! - Falou ele assustado.
- Mãe, você está bem? - Perguntei, indo em direção a ela abraçá-la.
- Estou sim filho. Precisamos conversar, eu e você.
- Sai daqui, pai, sai daqui. - Falei, olhando com uma raiva tão grande que deu vontade de enfiar uma faca no traseiro de meu pai. Ele não quis discutir, e saiu.

Eu e minha mãe sentamos, e ela começou.
- Mãe, o que está acontecendo exatamente, me conta. Eu não sou mais nenhum bebê!
- Jhonas, o seu pai, ele pensa que traio ele com o próprio colega de trabalho, mas eu não faço isso.
- Mãe, denuncie, ele te feriu! Olha, seu braço está inchado.
- Não Jhonas! Nunca, eu amo o seu pai.
- Olha, está bom, mas eu também tenho meus problemas. Quero tirar satisfações. A senhora mentiu quando disse pra mim que a Joana não ia me ver no hospital, não foi?
- Filho, não quero falar disso...
- Você não quer, mas eu quero. Isso é um assunto que diz respeito a mim, e você tem que parar de se intrometer em minha vida. Tudo bem, eu sou menor, sou praticamente uma criança ainda, mas sou maduro o suficiente para fazer escolhas em minha vida, e a senhora não tem nada haver com isso.
- Jhonas, para com isso. Você não vê? Está tudo errado. Você é um garoto de doze anos...
- Que perdeu um ano de sua vida em coma por ter salvo a garota que ama. Você acha o que? Que salvei a Joana e pronto? Amigos? Faça-me o favor. Não, eu a amo.
- Não, isso não é um amor filho, não passa de uma paixão platônica, algo que você verá mais tarde que não passa de um grande carinho.
- Não mãe, isso não é paixão platônica, é paixão precosse. Você não sabe do que está falando. Não sabe há quanto tempo gosto da Joana, e nem sabe como me sinto perto dela, então, não fale mais nada. - Eu me levantei, e fui direto para a cozinha, tomar um copo de água.
- Jhonas - Insistiu minha mãe, seguindo-me. - Só mais uma coisa.
- O que é?
- Não fala pro seu irmão o que você presenciou hoje.
- Não, não falarei, mas eu juro, que se presenciar mais uma vez, tomarei atitudes mais sérias. Meu pai não pode simplesmente desconfiar assim de você.
- Obrigado filho.

Depois de um breve almoço, subi para o meu quarto. O Lucas, já chegou enquanto eu comia. Deitado em minha cama, comecei a me questionar sobre a cena que vi hoje. E se meu pai estivesse certo? Sim, por que onde há fumaça há fogo. Essa história de traição não pode ter surgido através dos pensamentos de meu pai. Havia algo a mais naquela história, mas eu estava cansado o suficiente para deitar, e dormir profundamente.

"Jhonas, me salve, gritava Joana"
"Jhonas, por favor, não faça isso, pedia minha mãe"
Eu corria para salvá-la diante daquele fogo ardente. 
"Venha Joana"
"Socorro, gritava Joana"

Eram tantas portas. Eu não sabia em qual delas Jeovana batia. O fogo aumentava, as coisas caiam sobre mim, aumentando o barulho, e minha consufusão
"Em qual porta você está..."


- Joana! - Gritei. Eram cinco da tarde. Comecei a chorar com o pesadelo que tive. 


Continua

terça-feira, 1 de março de 2011

Paixão Precoce - Cap. 07

Parecia ser de tarde. Eu havia acordado meio atordoado, mas deu para perceber que ela estava alí.

- Joana? Joana, você está bem?
- Jhonas - Falou ela me dando um abraço. Aquele abraço era para mim a melhor coisa do mundo naquele momento. - Jhonas, toda vez que saía da escola vinha direto pra cá. Obrigado por salvar minha vida. Isso já faz um ano, mas obrigado. Ah, e parabéns - E ela riu com aquele sorriso angelical.
- Obrigado - Já não restavamais dúvidas de que a mamãe mentira para mim.
- Mas... O que você queria falar pra mim há um ano?
- Na verdade, eu queria te dizer que eu não iria acessar internet por um bom tempo por causa de um castigo de meus pais. Mas passou tão rápido. - Falei rindo.
- Rápido para você que passou dormindo! Para nós um ano pareceram dois, levando em conta sua situação. Jhonas, eu tenho que ir,  já está anoitecendo.
- Que dia é hoje?
- Quarta.
- Ah sim. Tá bom então. Até mais. - Falei sem graça.
- Até. - Quando Joana ia abrindo a borta, eu a chamei.
- Joana.
- Oi? - Falou era virando-se de frente para mim.
- Obrigado por existir. - Sem graça, ela saiu e me deixou só.

Poucos minutos depois, chegou a doutora.
- Temos boas notícias garoto! - Falou a mulher dos ccabelos pretos e longos.
- Eu vou poder saír daqui?
- Sim, hoje mesmo.

Esperei anciosamente pela noite. Meus pais vieram me buscar, e fui para casa. Lá, tudo estava como sempre foi. Meu quarto, não mudou nada. Na verdade, nada mudou.

- Mãe, não quero receber visitas de amigos, ou dos vizinhos. Diga que estou dormindo, e é o que vou fazer. - Pedi a minha mãe.
- Tá bom Jhonas.

De repente, eu mergulhei na inconciência diante da escuridão.

"Jhonas, me salve, gritava Joana"
"Jhonas, por favor, não faça isso, pedia minha mãe"
Eu corria para salvá-la diante daquele fogo ardente. 
"Venha Joana"
"Socorro"

- Joana! - Acordei gritando. Quando olhei as horas, já eram seis e meia do outro dia. Ué, não era hora de ir ao colégio. Falando em colégio... O Marcos. Eu não perguntei por ele, cadê ele? - Mãeeeeeee.
- Fale filho - Falou ela correndo para o meu quarto.
- Mãe, eu não vou mais estudar?
- Jhonas, sim, você vai estudar na mesma escola, e na mesma série.
- E o Marcos?
- Bom, ele passou de ano. Infelizmente, você vai ficar sozinho.
- Não tem problema, eu o vejo nos intervalos.
- Filho, ele estuda no turno oposto, cuja vagas de suas séries estão lotadas.
- Droga! Era só o que me faltava. Que dia vou ao colégio?
- A partir da próxima segunda.
- Tá bom então!

Aproveitei que não devia acordar cedo, e fui dormir novamente, agora, mergulhando na inconciencia diante da claridade.

Continua...

Paixão Precoce - Cap. 06


De repente, eu me vi dentro de um quarto branco. Ao que parecia, eu estava respirando a base de aparelhos, eu estava imóvel. Não conseguia mexer as pernas nem os braços, apenas o pescoço, que mesmo assim, doía muito. Não acredito, eu estava tetraplégico.

- No momento, ele está tetraplégico, mas a fratura foi bem simples, em cerca de um ano ele poderá voltar as suas atividades normais. - Ouvi um homem dizer do corredor.
- Então quer dizer que ele vai voltar a andar, não é? - Perguntou choramigando uma mulher, que provavelmente seria minha mãe.

Eu não conseguia falar nem um "ai". Quando olhei para o lado, estava sentada em um pufe a Joana.

- J...
- Jhonas, não diga nada, você não está em condições.

Cerca de duas horas depois, sendo assim umas cinco e meia, Joana já não estava em meu quarto, e novamente, do meu quarto, ouvi sussurros do corredor.

- Pare com isso, pare de brigar, não ver como está o Jhonas? Será que além de no trabalho você perturbar o meu juízo, não me deixa em paz nem dentro do hospital? - Falou minha mãe.
- Olhe só, se o que eu estou pensando é realmente verdade, você vai me pagar, sua cacorra! - Rebateu meu pai.
- Para, já chega! Para de desconfiar de mim, eu estou cansada, já chega! De uns meses para cá, você está assim. Eu não estou te traindo, para com isso!

De repente, eu comecei a sentir umas pontadas no corpo. Comecei a gemer feito um louco, revirando os olhos para os lados. Apertei o botãozinho de emergência que estava ao meu lado, e depois de alguns minutos, apareceu a doutora.

- Convusão, rápido.

Depois disso, minhas vistas escureceram, e eu só sentia um choque sobre minha barriga. Um choque atordoante. Trocaram a máscara de oxigiênio, e só senti isso. Puf, eu estava inconsciente.

2009

Eu me sentia uma bosta amassada. Eu estava "morto" de cansasso, apesar de não me lembrar de ter feito nada. Meus braços e pernas se moviam, mas a dor do pescoço ainda estava presente. Quando abri os olhos, estavam ao meu lado minha mãe, do outro, meu pai, e ao lado dele meu irmão. O que estava acontecendo? Eles estavam chorando, e quando abri os olhos:

- Jhonas, você acordou, saiu da coma. - Falou Lucas.

Coma? Que coma? Que dia era? O que aconteceu? Quando? Onde? Eu estava literalmente atordoado. Eu só me lembrava de uma coisa: eu gritando: "Joana". Apenas. Eu já não respirava com a ajuda de aparelhos, e conseguia falar.

- O que está acontecendo? - Perguntei
- Você ficou em coma durante um ano.
- O quê? - Perguntei assustado.
- Sim filho. Que susto que você nos deu. Olha, deixa tudo pra lá, seu castigo, nossas reclamações. Esquece tudo, nos perdoa, por favor. - Pediu meu pai
- Mas...
- Descanse - Falou minha mãe.
- Quer dizer que eu não participei do meu próprio aniversário? Eu já tenho doze anos? Em que mês estamos? Eu perdi de ano?
- Sim meu filho. Já estamos em março, seu aniversário foi há dois mezes.
- Onde está a Joana? Ela está bem?
- Ah, sua amiga? Sim, ela está. Por que você se arriscou para salvá-la? - Perguntou minha mãe.

Minhas boxexas começaram a ficar vermelhas, e eu gelei. Mas, tomei coragem, e disse.

- Por que a amo.
- Como assim? Você não tem idade para essas coisas.
- Mãe, o amor não escolhe idade.
- Tem sim meu filho. Eu se seu pai por exemplo, nós começamos a nos amar quand...
- Chega! - Gritou meu pai - Quem é você para falar de amor Jaqueline? Você..
- Roberto, essa não é uma boa hora.
- O que está acontecendo aqui? - De repente, começou a passar por minha cabeça flashs estranhos. Comecei a ouvir vozes. Aquilo me parecia dejavú.

"Pare com isso, pare de brigar, não ver como está o Jhonas? Será que além de no trabalho você perturbar o meu juízo, não me deixa em paz nem dentro do hospital?"
"Olhe só, se o que eu estou pensando é realmente verdade, você vai me pagar, sua cacorra!."
"Para, já chega! Para de desconfiar de mim, eu estou cansada, já chega! De uns meses para cá, você está assim. Eu não estou te traindo, para com isso!"

- Vocês se separaram? - Perguntei indo direto ao ponto.
- Não meu filho, que bobagem. - Respondeu minha mãe. Quando olhei pra o lado, meu pai já não estava mais alí.
- Eu sem que tem algo de errado. Eu me lembro de vocês discutindo no corredor. Algo sobre traição, e cachorra, desconfiar, o que está acontecendo?
- Jhonas, essa não é uma boa hora.
- Mãe...
- Você quer que eu chame a Joana aqui? - Eu sabia que aquilo era para me enrolar, mas eu gostei.
- Sim, chame ela, mas não pense que esqueci.
- Eu vou ligar.
- É... Só uma pergunta. Ela tem vindo aqui me ver?
- Lucas, saí daqui, agora. - O chato saiu, e minha mãe fez aquela cara de pena.
- Jhonas, eu sinto dizer, mas ela não compareceu muito.
- Mentira! Você fala isso por que não quer eu a ame! Sai daqui. - Minha mãe também saiu, e as lágrimas começaram a cair. Minha cabeça lotou de dúvida, mas eu ia tirá-las de mim em breve, quando a Joana viesse me ver.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Paixão Precoce - Cap. 05


No dia seguinte, acordei seis e meia da manhã, e fui direto ao banheiro tomar um banho, e escovar os dentes. Desc já arrumadoi, e vi que todos estavam acordados tomando café. Calado, sentei na mesa, peguei uma torrada, coloquei um pouco de suco no copo, e comecei a tomar.

- Bom dia para você também Jhonas - Falou meu pai
- Bom dia - falei sem graça.

De repente, eu tive a sensação de que os problemas não eram só comigo. Mas enfim, terminei meu café, e fui para o ponto de ônibus. A escola, foi como sempre depois que conheci a Joana: Tédio ao quadrado, falta de atenção ao cubo e barulho em sala de aula a quarta potência. Eu estava mais do que ancioso para ir pra casa, e ver começar o plano. O sinal bateu. O intervalo, como sempre, foi um pouco melhor que as aulas.

- E aí, tudo certo hoje? - Perguntou Marcos?
- Sim, você já falou com a Joana?
- Sim, consegui o número dela e já marquei. Disse que você tinha uma coisa muito importante para falar com ela.
- Ótimo, de hoje não passa, vou me declarar. Às vezes me sinto estranho. Um garoto de onze anos como eu, apaixonado. Meu Deus!
- Cara, você nunca ouviu dizer que amor não escolhe idade?
- Já sim, mas mesmo assim, me sinto estranho. Mas fala aí, e você, como tá? Não gosta de ninguém?
- Não, ainda não, mas espero conhecer alguém que goste de mim, não deve ser bom gostar de alguém e não saber se esse alguém sente algo por você.
- Nem diga!

O sino bateu, e novamente, está-vamos dentro da sala de aula. Felizmente, as duas últimas aulas acabaram num piscar de olhos, e já era hora de ir para casa.

Chegando lá, meus pais e o Lucas já haviam chegado. Como eu havia dito, os problemas não pareciam ser só meus alí dentro. O clima estava tão tenso, que nem teve ânimo para soltar uma indireta contra mim. Subi para o meu quarto, e quando já eram 14:30, eu comecei a me preparar. Meus pais já haviam saído para o trabalho, e o Lucas já estava jogando futebol. Vesti uma roupa simples, e finalmente, olhei na janela. "Coragem, coragem", pensei comigo. Abri a grade da janela, coloquei a perna direita para parte de fora, e depois, a esquerda. Ainda segurando na grade, eu virei-me de costa para a janela, e dei um pulo. O vento leve bateu no meu rosto, mas foi por poucos segundos. De repente, me encontrei em um chão duro e sujo. Pelo menos eu não havia quebrado nada. Até alí, tudo bem.

Eu estava próximo a praça, só faltava atravessar aquela pista. O sinal deu vermelho para os carros, e eu comecei a andar. Quando cheguei lá, Jeovana ainda não se encontrava. Depois de alguns minutos, eu a avistei do outro lado, também prestes a atravessar. Novamente, o sinal novamente ficou vermelho, e Joana já se encontrava no meio da pista, quando percebi que um carro burlara a cor do semáforo, e acelerava contra Joana.


- Joana - Gritei.

Correndo contra um tempo, eu acelerava cada vez mais meus passos, na intenção de salvá-la daquela situação que eu a coloquei. De repente, eu também estava perto do carro. Empurrei Joana, a vi voltar para o passeio, e depois, tudo um baque forte fez tudo escurecer para mim.

Continua

Paixão Precoce - Cap. 04

Na escola, na hora do intervalo, perguntei ao Marcos se ele poderia me ajudar com o plano de sair escondido.

- Claro, pode contar comigo, mas pra que você vai sair escondido? Sim, eu te dei a idéia, mas eu disse só para você não ficar preso dentro de casa. Onde quer ir?
- Não, eu vou me encontrar com a Joana. Eu só preciso que você a convença de que amanhã, as exatamente 15:00, eu estarei em frente ao ponto de ônibus do meu bairro, que o buzu da escola passa
- Mas ela não sabe onde é. Quando ela estudava com a gente, Joana morava em outro bairro, e pegava o ônibus em outro lugar.
- Realmente. Eu não havia pensado nisso. Então faz o seguinte, diz para ela que amanhã, no mesmo horário, é para ela ir à praça da cidade tá?
- Tá bom então, mas olha, como você vai sair escondido?
- Deixa comigo - eu ainda não sabia o que iria fazer, mas eu estava decidido de que eu ia me encontrar com a Joana.

O sinal bateu, e tivemos que entrar na sala de aula. Eu não tirava os pensamentos da idiotisse que eu estava prestes a cometer. O tempo passou, passou e passou, e finalmente chegou a hora de ir para casa.

Chegando em casa, vi que meus pais ainda não haviam chegado do trabalho para o almoço, e meu irmão ainda estava na escola. A barriga ainda não roncava. Subi para meu quarto, deitei na cama, e comecei a pensar como iria sair de casa escondido. Passou pela minha cabeça os fundos da casa, mas lembrei-me de que o campinho onde o Lucas jogava bola, era bem atrás do portão de casa. Pela porta da frente, nem pensar. Então, me restou apenas uma opção: Pular a janela que dava para o lado direito da casa. Loucura! Olhei lá embaixo, e ví que não era tão distante quanto parecia.

De repente, comecei a sentir fome. Eram extamente doze e quarenta. Desci, coloquei meu prato na mesa, e comecei a comer, quando meus pais chegaram, e logo atrás, o Lucas.

- Oi Pai, ou mãe - falei. Eu não entendia como eu ainda tinha cara de pau de falar com eles.
- Oi Jhonas - responderam os dois ao mesmo tempo.
- Como foi a aula hoje Jhonas? - Perguntou Lucas ironicamente.
- Por que você quer saber como foi meu dia na escola?
- Jhonas, não fale assim com seu irmão, ele só se preocupou com você. Não passe para eles os seus problemas - reclamou minha mãe. As vezes eu tinha a sensação de que os dois gostavam mais do Lucas do que de mim.

Depois de terminar o almoço, como eu não podia sair, fui novamente para o meu quarto, passa mais um dia inteiro com minha solidão.

Continua

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Paixão Precoce - Cap. 03

A cada hora que se passava, minha vida se tornava mais insuportável. Meu irmão, piorava suas armações contra mim, meus pais, almentavam os castigos sobre a minha pessoa, e minha fisionomia, almentava cada vez mais a possibilidade de alguém perceber que eu estava triste.

Era exatamente seis e meia da manhã, e eu tinha que me levantar para ir ao colégio. Depois de um breve banho, um mais breve ainda café, fui para o ponto de ônibus. O buzu já estava vindo quando do outro lado, eu avistei a Joana. Saí correndo, atravessando a rua feito um louco, gritando: "Jeovana, Jeovana, ei". Quando cheguei até ela, percebi que na verdade, não era a Jeovana. Era uma garota muito parecida com ela. Quando olhei para trás, percebi que o ônibus já não se encontrava mais alí. Eu estava frito.

Depois de andar um quilômetro, finalmente eu cheguei a escola. Atrasado, mas cheguei. Perdi o primeiro horário, e tive que esperar o sinal bater para entrar. Não era de meu costume chegar atrasado, e isso assustou Marcos, meu melhor amigo.

- Por que você chegou atrasado? É impressão minha ou você não está bem?

Sem responder, sentei-me na cadeira ao lado dele, e comecei a fingir que estava prestando atenção na aula, mas muito pelo contrário disso, eu estava lembrando da Joana, e pensando o quanto meu amor estava me prejudicando.

- Jhonas, você tudo bem? - Perguntou a professora.
- Sim. - Respondi friamente.
- E então, qual a resposta? - Rebateu ela.
- De que?
- Jhonas, certeza de que está bem? Você está muito destraído. Refiro-me a questão do quadro.
- Professora, não sei o assunto, perdi o primeiro horário, acabei de chegar.
- Vou ligar para seus país, e perguntar o que está acontecendo.
- Professora, por favor, não faça isso, eu juro que não vai acontecer mais.
- Desculpe, mas eu tenho que fazer isso.

Na hora da saída, Marcos veio até a mim na intenção de tirar satisfações.

- Eu posso saber por que me ignorou na sala? O que está acontecendo com você? Ultimamente você tem agido de forma estranha.
- Olha, desculpa, é que eu não estou bem, as coisas estão ruim lá em casa.
- Cara, eu te conheço, fala logo o que está rolando.
- Tá bom, eu vou te contar, mas não fale para ninguém. Há dois anos, eu comecei a gostar da Joana, lembra dela? Pois, não a esqueci até hoje, e meus pais me proibiram de acessar internet, o que consequentimente me impede de conversar com ela.
- Nossa, a coisa não tá boa mesmo.
- E para completar, o Lucas não me deixa em paz com suas armações. Ontem ele me pediu para ajudá-lo no computador, e depois tirou fotos de mim acessando. E adivinha o que aconteceu? Meus pais me proibiram de sair também.
- Eu tenho uma idéia. Já que você não pode sair, por que não sai escondido?
- Tá maluco? Se meu pai souber, acho que eu não teria direito mais nem de respirar.
- Não tem como dar errado Jhonas. Olha, se você quiser, te ajudo.
- Eu vou pensar em seu caso, tenho que ir, se não, meu pai vai pensar que fui para outro lugar depois daqui.
- Tá bom então, até amanhã.
- Até.

Chegando em casa, fui comer alguma coisa, quando novamente meu pai me surpreendi com os gritos do meu pai.
- Jhoooooooooonas, por que chegou atrasado à escola? - Como ele estava sabendo daquilo?
- Perdi o ônibus pai.
- E porque perdeu o ômibus?
- Não cheguei a tempo.
- Como não chegou a tempo? Você saiu daqui a tempo suficiente para pegar o ônibus, ligaram para cá avisando do seu atraso, e da sua falta de atenção em sala de aula.
- Pai, por favor, não me bata por isso - Pedi quando vi ele pegar um cinto - Ai, para pai.

Novamente, eu estava sem fome, e subi correndo para o meu quarto. Fechei a porta com um ódio tão grande, que sem querer, bati a porta tão forte que se meu pai ainda estivesse dentro de casa, pensaria que tinha sido um tiro. Depois do que aconteceu, eu resolvi que iria fazer o que o Marcos falou. Eu ia encontrar com a Joana escondido dos meus pais.

Continua

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